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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Cristianismo como fundamento para a ciência

Loren Haarsma
(Physics and Astronomy Department, Calvin College, EUA)

Resumo: As teorias básicas da ciência, as "leis da natureza”, não se referem explicitamente a Deus. Alguns cientistas, e alguns estudantes, concluem incorretamente que a ciência é metodologicamente ateísta. Entretanto, uma visão bíblica de Deus não somente nos motiva a fazer ciência, mas fornece-nos também uma fundamentação filosófica para a expectativa de encontrar padrões regulares de causa e efeito na natureza. Uma compreensão científica em termos de leis naturais não exclui Deus; antes ensina-nos sobre Sua forma de governar a criação. O conhecimento científico é colocado no contexto de uma vida fiel a Deus.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mitos, ciência e religiosidade


Eduardo Ribeiro Mundim

“Mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre”. Esta definição, da autoria de Joseph Campbell, serve de introdução ao texto Marcelo Gleiser, à página 9 do Caderno Mais, da edição de 11 de abril de 2010 do Jornal Folha de São Paulo. Baseado nela, aponta para a natureza narrativa-explicativa do mito, que não se funda na verdade mas na sua eficiência. O da superioridade ariana da Alemanha nazista, por exemplo. Ao funcionar, o mito seduz apelando para as fraquezas e medos, “oferecendo soluções, prometendo desenlaces alternativos aos dramas que nos afligem diariamente”.

A fé nos mitos mostra a paixão do crente – nos últimos anos, os suicidas árabes, e há 50, os kamikases japoneses (exemplos meus, não do autor). E esta paixão parece ser um obstáculo a atividade científica, pois prescinde de justificativa racional, enquanto esta se baseia (idealmente) na objetividade das observações e análise criteriosa dos dados. Assim sendo, é acusada de destruir a fé das pessoas, à medida que esta, frequentemente, carece de bases experimentais que não sejam individuais.

Mas os progressos do conhecimento organizado humano são compartilhados por ambos, crentes e cientistas. E este compartilhar sugere um fosso separando o uso da ciência e suas aplicações das implicações culturais e religiosas. Para esta dicotomia, o radicalismo ateu, como o de Richard Dawkins, não é estratégia viável: extremistas religiosos não mudam de opinião, como o cientista honesto faz, quando confrontado com novos dados convincentes.

No lugar do ateísmo, Gleiser propõe o agnosticismo. Na sua visão, aquele nega categoricamente, enquanto este se recusa a negar radicalmente aquilo que não sabe.

Citando Carl Sagan, lembra que a “ausência de evidência não é evidência de ausência”. A incômoda, tanto para o crente quanto para o cientista, coexistência do existir e do não-existir parece ser inevitável.

Termina com o seguinte parágrafo: “apesar de o natural e o sobrenatural serem irreconciliáveis, é possível ser uma pessoa espiritualizada e cética. Einsten dizia que a busca do conhecimento científico é, em essência, religiosa. Essa religião é bem diferente da dos ortodoxos, mas nos remete ao mesmo lugar, o cosmo de onde viemos, seja lá qual o nome que lhe demos.”


Fé e ciência: irmãs gêmeas ou inimigas?


Timóteo Carriker
 
O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Assim como os divórcios são caracterizados por brigas, mal-entendidos, rotulações preconceituosas ou até xingamentos de ambos os lados, a ciência e a teologia também sofrem de grande dificuldade de comunicação. Além disso, com o amadurecimento da ciência, cresce a convicção popular de que a ela pertence o campo dos fatos enquanto à religião pertence o campo dos valores. Curiosamente, ao campo dos fatos se aplica a regra de singularidade e dogma. Isto é, a respeito de determinado fenômeno, cientificamente falando, os fatos são únicos e, uma vez estabelecidos, se tornam dogmas. O inverso ocorre na percepção do papel da religião para quem é relegado ao campo dos valores. Estes valores, não como fatos, são múltiplos e, por isso, culturalmente, não devem ser entendidos como dogmas universais, apenas ao gosto do freguês.

artigo completo

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Crença e conhecimento

Conhecimento e verdade estão intimamente relacionados. Por definição, conhecimento real tem de ser verdadeiro: ser real, corresponder ao que é, retratar a coisa como ela é realmente. Conhecer passa a ser importante na história da humanidade em função de diversas necessidades, incluindo as de sobrevivência imediata. É verdade que o ser humano necessita de água e alimento; sem eles, morre ou de sede ou de fome. Portanto, é conhecimento que ele deve se alimentar e ingerir líquidos. É verdade que o mercúrio não é alimento, pois sua ingesta causa a morte. Muitas vezes verdade se confunde com funcionalidade: aquilo que funciona é verdadeiro, aquilo que não funciona é falso. Se as fundações da casa em determinada profundidade a fazem imune às intempéries, é verdadeiro que tal profundidade é necessária.

É verdadeira a teoria da gravidade? O céu e o inferno existem?

restante em www.medicinaeciencia.med.br/ciencia/crencaeconhecimento.pdf

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Médico, o sonho e o (des)encanto II

A Associação Médica de Minas Gerais realizou nos dias 20 e 21 de novembro de 2009 um fórum com este nome. Abaixo, algumas anotações e considerações pessoais (estas em itálico).

Fé e Ciência
Fé e ciência são duas experiências subjetivas. A primeira lida subjetivamente com experiências subjetivas; a segunda lida subjetivamente com fenômenos objetivos. A fé é conduzida por uma imaginação que carece razão, e a ciência por uma imaginação tolhida pela razão. Mas, como diz Rubem Alves no seu livro "Filosofia da ciência: introdução ao jogo e as suas regras", os grandes avanços da ciência se deveram a imaginação do cientista.

A fé conduz à dependência, à uniformidade, à tradição e à intolerância. A ciência, à independência, à dissenção, à pesquisa e à tolerância. Afirmativa que precisa ser vista com cautela. A fé pode ser vivenciada de modo institucionalizado ou não. Caso siga cânones, haverá uma tendência à uniformidade (que tem espaço para a não-conformidade) e consequentemente à tradição, que podem facilmente gerar a intolerância. Mas Lutero, um atormentado homem de fé, reviu a ortodoxia, acabou com a uniformidade e reviu a tradição. Em parte devido a sua neurótica dependência de um esquema de fé, fez renascer a tranquila intranquilidade da salvação pela fé - idem para os demais reformadores (Calvino e Wesley). Somente os não cientistas, aqueles que não vivem profissionalmente da ciência, acreditam que a Academia seja um território de livre expressão do pensamento (por exemplo, desing inteligente), sem tradição (e as cerimônias de colação de grau?) e tolerantes.
 
A força da fé está em sua fraqueza : a imposição. O poder da ciência, na sua transitoriedade e liberdade. Nesta, pode haver certeza graças à confiança; naquela, há muita confiança e pouca certeza. Em ambas, a verdade é relativamente suposta e interpretada.

O assunto fé e ciência é repleto de armadilhas. A universal é não poder ser objetivo, ou seja, não subjetivo. Provavelmente é característica humana básica emocionar-se com o assunto e sentir-se mobilizado emocionalmente com ele, traindo a própria experiência individual.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fé que pensa, razão que crê

Ciência e fé tem uma longa história, nem sempre tranquila. Ambas são formas de conhecimento, e ambas são essenciais para a constituição de um sujeito saudável. Ambas são vítimas de preconceitos mútuos, e ambas teimam, ocasionalmente, em invadir o terreno alheio.

Neste momento, nenhuma fé religiosa específica será analisada dentro do tópico proposto. Contudo, falo a partir da fé cristã de orientação protestante - um termo menos ambíguo na sociedade brasileira atual que o evangélico.

Igualmente, nenhuma ciência específica será focada, mas o será partindo da experiência pessoal como médico endocrinologista, que participa há uma década de um processo de formação de especialistas na área.

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